O PESO DE UM
ESTIGMA
Marlene
Constantino
No porão da tua
escuridão
eu era um
rato.
Em baixo do teu
sapato
eu comia o resto
do lixo
que você esqueceu de
varrer.
Se você não me
queria
Quem haveria de querer
um rato tão
feio?
Eu era apenas um menino
negro!
Você me deixou
sozinho!
Você não sabia, eu tinha
um amigo
chamado
Ben.
Ben era bom comigo, dócil e
corajoso
tão querido como um rato
branco.
Ben brincava
comigo
e eu sonhava com
Ben
"e eu até costumava dizer eu e
eu"
em minhas noites
brancas.
Quem era um rato, eu ou
Ben?
Eu o via
assim,
tão negro e tão branco em
mim.
Você não
viu.
Mas um dia você
saberá
que Ben aos poucos me
vestia
tão
branco, tão diferente
Do negro
que um dia você
rejeitou.
26/06/2009
Narração - Marcos Sérgio
T.Lopes
Música de fundo -
Ben
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