|
Ouvidos
Marlene
Constantino
Hoje quero ouvir o
infinito,
traçado em linhas tortas na
emoção....
Quero ouvir o
choro d'alma
criança
a tocar-me o
coração.
O canto das
sereias nas conchas
do mar
profundo.
Hoje quero
ouvir o gorjeio
dos pássaros
sob minh'alva pele...
O riso
da flor
abrindo-se para o
sol nascente.
Hoje quero ouvir o
inaudível som das eras,
o
oco silêncio das noites escuras.
Ir a capela
ouvir o manso
olhar de Maria.
Hoje dos meus
lábios não soará
verbo algum, saído
do pensamento...
quero ouvir o
solitário gemido das horas...
Ouvir só o
que diz calado o coração.
Inúteis se
tornam as palavras
diante à portas
fechadas,
redemoinho de
vento em vazio deserto.
Deixo ao acaso os
meus dias mudos.
Hoje quero abrir
os olhos e os ouvidos
para o meu
incompreensível self...
"Nesse
Agora"
Não posso deixar para
amanhã
É preciso ser nesse
agora
Ir nas minhas
aresta
Fazê-las
emergir
Mesmo que as entranhas
estranhem
e de cara amarrada,
contestem.
Tenho pressa de um
encontro
Estar frente a frente
comigo mesmo...
Sem manhas ou
artimanhas.
Não vou
retardar
Porque já se faz
tarde
E eu preciso desse
enlace.
Preciso abrir o
peito
E, mesmo contrafeito,
fazer descobertas
Encontrar meus
pedaços
Juntar-me nos meus
embaraços.
Nesse agora estou sem
hora
O tempo é só
meu
Preciso desse
mergulho
Para me fazer inteiro
novamente.
Marcos Sergio T.
Lopes
25/02/2010

|