![]() DISFARCE
*Marlene
Constantino*
A campainha soa
mais uma vez
numa insistência
desesperadora.
Perdoe o mal
jeito, os tantos toques,
eu na minha
indiferença, finjo não ouvir.
Quantas palmas
suas no portão,
que eu não
atendo e nem respondo.
Perdoe se eu não
creio nesse seu interesse,
nem tento
entender porque vem a mim.
Talvez eu
seja mesmo um emaranhado
de nós no seu
pensamento.
Perdoa se lhe faço chorar
nesse tormento
da espera, quando
meu vulto se
mistura na noite
e me faço escuro
aos olhos seus.
Talvez, eu seja
mesmo esse novelo
ainda por
descobrir onde começo e termino.
Perdoa
quando lhe faço crer no meu fingir,
que não é tudo o
que eu preciso
e nem dou
tanta importância
quando a
campainha se cala.
É muito mais do
que se pode imaginar,
muito mais pra
se pensar,
mas esse jogo
parece não ter fim
e eu preciso e
tenho, que acreditar,
ser eu mais
um espectro de ilusão
refletindo
no seu espelho.
A
campainha silencia.
Eu
aqui, sem disfarce, me faço
choro.
16/11/2008
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