CÁRCERE
 
*Marlene Constantino*
 
Os vendavais que te levam
aos mais impensados atos
não condizem ao amor liberto.
 
A alma arde e a lava escorre,
paixão que alucina e te faz algoz.
Sentimentos, os mais primitivos.
 
Liberte meu coração das grades
que isolam o meu eu inocente,
tornei-me um ser vil e ultrajado.
Sou mais um ser largado e atirado
nas alcovas de um cruel destino.
 
Vitima da minha própria insensatez,
sou mais um enforcado, nas cordas
da minha própria incapacidade
de reconhecer o amor como fonte de vida.
 
Sou eu, mais um, que coloca o coração
na mira do punhal, que rasga e dilacera
todo um poder de viver a liberdade.
 
Entregue estou no covil dos mais terríveis assombros,
frente aos meus medos mais incontrolados, sombras,
que esmagarão minh'alma com ásperas mãos.
 
E, vozes que me acusarão, dedos que me apontarão,
ladrão que sou do poder, que só a Deus é de direito,
minha energia vital e a de outrem.
 
20/10/2008
 
 
 
 
 
 
 
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