A
espera
Marlene
Constantino
A espera é longa, os
caminhos não se cruzam
o sol não dá sequer um sinal
de presença
o grito sufocado se perde no
silêncio da noite.
Chove no meu deserto, os
pássaros voam longe
eu cá atada nas asas de um anjo
sem coração
em revoadas que não chegam a lugar
nenhum.
Será que ele sabe do meu
caminhar?
Sabe que meus passos seguem suas
pegadas?
Sabe ele, que o amor que
sinto tem a beleza
do universo que existe num
coração apaixonado?
Que as águas desse mar não se
perdem na praia?
Será que ele sabe, que meus
olhos brilham
feito dois oceanos em gotas de
profunda felicidade,
águas que ele poderá banhar-se
em alegrias
que serão somente
dele?
Mas ele um dia saberá, da
nossa historia sem fim.
Terei dias e noite inteiras
para fazê-lo cansado
de ser olhado por mim
Então
poderemos fitar-nos, tocar-nos e
sentir-nos,
falar-nos e ouvir-nos porque será
meu,
eu serei dele eternamente.
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