Chove !

Marlene Constantino
 
E o coração geme e verte o mar.
Um vai e vem de ondas a marulhar
 até parece, que a chuva escorreu solta
aí dentro, cheia de oceanos.
É tão doce o canto da chuva.
Posso ouvir horas a fio
o ecoar das águas, o gotejar das bicas.
E as areias sugam
como se bebessem todas as agonias
como se todos os alimentos lhes faltassem.
É tão sublime o contorno da chuva
nos vitrais das janelas entreabertas
é como se todos os universos quisessem
chegar a um único porto...
É como se lábios sedentos esperassem
por um beijo morno,  umedecido
de esperança.
Quisera eu, ser as gotas
dessa chuva, que escorre,
brincar e cantar, nos lábios de quem
tanto espero, como se
todo o oceano se misturasse às águas
de um beijo dado.

04/07/2009

 

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