A campainha soa mais uma vez
numa insistência desesperadora.
Perdoe o mal jeito, os tantos toques,
eu na minha indiferença, finjo não ouvir.
Quantas palmas suas no portão,
que eu não atendo e nem respondo.
Perdoe se eu não creio nesse seu interesse,
nem tento entender porque vem a mim.
Talvez eu seja mesmo um emaranhado
de nós no seu pensamento.
Perdoa se lhe faço chorar
nesse tormento da espera, quando
meu vulto se mistura na noite
e me faço escuro aos olhos seus.
Talvez, eu seja mesmo esse novelo
ainda por descobrir onde começo e termino.
Perdoa quando lhe faço crer no meu fingir,
que não é tudo o que eu preciso
e nem dou tanta importância
quando a campainha se cala.
É muito mais do que se pode imaginar,
muito mais pra se pensar,
mas esse jogo parece não ter fim
e eu preciso e tenho, que acreditar,
ser eu mais um espectro de ilusão
refletindo no seu espelho.
A campainha silencia.
Eu aqui, sem disfarce, me faço choro.