LIBERTAÇÃO
*Marlene Constantino*
 
 

Nos teus mares fui somente súdita, 

quis ser princesa, quis ser rainha.

Vesti-me de sereia para alcançar-te guerreiro;

só trevas fostes, um anjo, esculpido em frio granito.

Nos céus fui a estrela cadente, guia, que te seguia.

Das luzes, que caia do firmamento, em folguedos,

fostes chuva artificial, que encobriu meus sonhos.

Da flor azul, que prometestes, tive só o espinho

cravado no meu coração,  o amor,  que ardeu.

Fui só espuma  na ponta da espada, na tua ira;

 fostes amarga saliva em minha boca, cristalizada.

Rompem-se os pilares, que sustentava o teu altar,

e em idílios, tranco todas as minhas desilusões.

Longe das tuas garras , faço do futuro

a lança, que me levará a novas redenções.

 

 

  

03/02/2008

 
 
 
 
 
 
 
 
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