“O ATO DE PROIBIR”  

 

 

Pobre daquele ser

 

Tão aprisionado em seus próprios muros

 

Totalmente fechado em seu mundo

 

Lançando mão de tantas cercas

 

Que lhe deixa trucidado

 

Amargando seus dias de forma inexorável.

 

Algoz de seus atos

 

Bota limites tantos

 

Destruindo sua vida

 

Consumindo seus dias

 

Diante dos seus entraves

 

Que lhe assola de maneira inclemente.

 

Quem disse que teria que usar correntes?

 

Pobre criatura...

 

Dono de suas próprias mordaças

 

Decreta sua própria sentença

 

Arrasando-se diante de uma falsa crença

 

Onde nada lhe é permitido

 

E tudo é um avilte

 

Fazendo sua vida ser um amontoado de culpas

 

Onde se acusa constantemente.

 

Por que se castiga tanto

 

Em suas imagináveis barreiras?

 

Nem ele próprio sabe.

 

Apenas percorre sua estrada

 

Num total martírio

 

Não tomando o gosto de nada

 

Já que se estrangula com todos os alardes

 

Castrando seu sentir

 

Coibindo até um leve toque

 

Privando-se da felicidade

 

Vegetando...

 

E mais nada.

 

 

Marcos Sergio T. Lopes – 22/08/08


 

"Não me aprisione"

*Marlene Constantino*

 

Não mostro o que sou

porque não sou o que vês.

Não sou inerte, sou movimento.

Não sou o que sou,

sou aquele que sinto ser.

Sou um ser livre

para criar e recriar

e para cada sentimento

um novo ser surge e vive

dentro da minha propria criação.

Não sou o que sou

sou aquele que se recria

a cada existência.

Não sou ilusão, sou conciência.

Sou o pavor, a angustia

o desespero, a dor, o amor, a vida.

Muros e grades pra que?

não me aprisionam,

se sou asa dentro da minha

própria liberdade.

Não há vendas para um visionário,

nem correntes para um sonhador.

Sou como o pássaro:

 livre, responsável pelos meus atos,

valores e credos...

preso padeço,amordaçado morro.

 

09/10/2009

ASOL*

 

Correntes

Lúcio Reis

 

Vejo-lhe acorrentado

Por si mesmo amordaçado

Olhos cegos, vendados

Em seu instinto de escolha massacrado

Todas as suas assas cortadas

Cartilagens e mucosas estragadas

O oxigênio para usar

É veículo de perseguição

Não, de condução

Do inimigo branco

De seu companheiro em nuvem

Prometendo o bem

Mas na sua brancura só há o mal

Que mata, que aprisiona

Que lhe tira a total liberdade

Buscada na magia  de uma enganação

Que comprime seu coração

Do viver lhe tira o tesão

Das cores lindas do arco-iris

Cega-lhe a visão

Pois despenca no vazio de um alçapão

Que aprisiona cada vez mais

Sempre e cada vez mais

Até naufragar no abismo

Da loucura sem eufemismo

Pois sua máscara ao cair

Mostrar-lhe-á a desgraça

Sem nenhuma graça

Que lhe colocou no profundo precipicio

De um hospicio sem chave

E que possivelmente

De lá jamais poderá ver e vier

A plena liberdade

Pois esta foi acorrentada

Por grilhões e correntes

Do vicio e da maldade

Belém do Pará

11/10/09

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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