Tango
 
Aisha
 
 
Ainda vejo as luzes entremeando o salão,
 
as mãos deslizando no corpo que desperta
 
o sentido do desejo, e no abraço delibera
 
os anseios que crescem no ritmo da paixão.
 
 
 
O sangue aquece no compassado do carinho,
 
em voltas nessa dança à certeza do querer,
 
um mesmo pensamento ligando o ser ao ter
 
pelos seios gotas de desejos deslizam seu caminho.
 
 
 
Olhar e sedução, os passos mostrando o ritmo,
 
na dança, os corpos no bailado entorpecente,
 
entregam-se sem o pudor que carrega toda gente

às metáforas das notas que faz o som do violino.
 
 
 
Mais outra volta nas voltas que a vida dá,
 
no salão já deserto, o amor sem destino e só,
 
acorda, e sobre a mesa a tristeza reduzindo a pó
 
e no corpo ainda o desejo que na lembrança está.
 
 
 
Aliviar a dor que dilacera o coração,
 
mais um copo do ardente consolo apagando a mente,
 
dos pecados cometidos de forma vil e inconseqüente
 
dando à morte o amor que vestiu de traição.
 
 
 
No adeus, o mesmo ritmo que mostrou o amor,
 
cai o corpo que tanto da paixão esperou,
 
pára a música no salão onde encenou
 
seus desejos mais íntimos, hoje enterrados na dor.
 

 

 

 

 

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