Voragem
Marlene Constantino
O céu se fecha na mata densa, o que
era
pra ser verde vira um escorrido
aguaceiro.
Rastejante nevoeiro esconde o
tempo,
os apressados ponteiros...
Parece que tudo fica tão lento, quase
parando
e a noite que era pra ser curta não
termina.
Até o pulsar do coração fica em
silêncio,
fria sombra vem e domina.
Por que mergulhar nesse atoleiro, nesse
caminho
duvidoso e escuro, onde a alma não
respira?
Se o verde soluça, grita,
reclama aos céus,
ao vento, as folhas caídas fora de
hora...
implora ao tempo, sem demora
por mais um, só mais um raio de
vida?
Respondo:
Esperança solitária é a minha!
25/04/2010