Não cabem nestes versos ternos,
áridas palavras
Fica
o abismo de palavras ásperas
no uso destes registros
sonhados,
trespassadas de não
No fundo,
o poema escuta silente
tristeza
oculta na mordaça da mudez sufocante
Do poema emana a
brisa
que sente o som da tarde, que ouve
o que cantamos
Um verso que
não se escreva,
nem se sinta, mergulha no limbo do fim
e na máscara do
nada
O poeta lapida a palavra no granito
e entrega à sina impregnada de
delírios
e metáforas que se fundem
carregadas de amor
O poeta não
termina seu poema,
simplesmente interrompe,
porque outros poemas
nascerão,
já que o amor se desnuda nos seus dedos
e o amor não tem
definição,
é cravo, rosas, espinhos, espelho de vidas,
invólucro de
sentimentos.
Paulo Silveira de Ávila