Agonia
Marlene Constantino.
Teço um poema sem
brilho e sem cor,
meio espanto, um nada de acalanto.
Somente o esboço
de um vulto na poeira,
meio torto, meio manco,
um tanto per_verso,
estendido
na soleira da porta,
acorrentando
na ponta da língua
o sonoro grito.
Faz medrar o verbo.
Só um gemido espremido
decodificado
embaraçando a realidade;
Vestido em negro manto
apertado, sufocado,
rasgando o que era
pra ser um verso de alegria.
Ai de mim !! Ai de mim !!
Confesso:
É mortífera a agonia !!
FÓBICO
Tão desconexo
Esse esboço.
Tão torto
Quase morto...
É assim esse verso:
Um ensaio retalhado
Um pedaço melindrado
Escorrendo abusivamente
No rubor tão desgrenhado.
É um ir e vir
Sem chegar a qualquer canto
É um estrondo
Mortificando por dentro.
Arrasto-me em fugas
Frustro-me
Já que nada consigo...
(não se consegue escapulir de si
mesmo)
Sou fatias
Retalhos
Querendo se juntar
Para ser inteiro.
Que nada!
Mera insistência vazia.
Não se faz enxerto
Do que nasceu fadado a não se juntar
jamais.
Constato:
Sou fobia vazia.
Marcos Sergio T. Lopes
11/03/2011