AH CORAÇÃO!

Marlene Constantino

 

Ah coração,

procurou por ela, não a encontrou?

Virou pássaro escapou.

Gritas agora no vazio,

só se ouve o eco do teu desespero. 

Perdestes o chão, o céu...

O que era para ser azul ficou cinza,

se desfez com teu desdém,

depois vieram os demônios, varreram tudo,

pelos ares a levaram...

Foi assim, não foi?

Nem viu que os olhos dela pedia

um pouco mais de claridade.

Foram dois luzeiros perdidos na escuridão,

anjos pendurados nas trancas do teu abraço.

Sem ti, noite e dia tecia a asa,

preparava a fuga para bem longe,

 suave descanso no azul do céu.

Não há mais tempo, nem recuperação,

ficou o dito por não dito

 o que foi escrito com emoção.

Foram gestos castrados, 

som censurado no auge da expressão.

Hoje sabe-se que ama calado,

mergulhado no silêncio, o seu coração. 

 

 

A árvore balança, o galho quebra

a folha segue a direção do vento.

 

Amo você!

"Lutar contra todos os demônios levará tempo,

levará tempo...Será que vamos retornar? "

 

01/05/2011

 

 

 

 

E o coração...
 
Enlouquecido.
Ergueu seus muros
Diante de urros ecoados ao vento.
Não...Não sente.
Morre um tanto mais a cada instante.
Vagueia indecente
Demente me tirando o chão.
Leva-me por caminhos imprecisos
Molha meus risos.
Depois se recolhe
Enquanto me encolho
Diante da luz que parte.
Morro sempre um tanto
Ele se aquieta...
Depois; rebelde
Faz uma outra tentativa
Brinca de esconde - esconde
Deixando o adeus castigar uma vez mais
Já que não gosta dessa rebeldia
Desse ladino que nunca se cansa de insistir
E depois ficar no peito
Até a dor não mais doer.
 
Marcos Sergio T. Lopes
02/05/2011
 
 

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