Ah liberdade que saudade sem fim
Fale por mim, ah! doce liberdade !
Tire de mim as palavras, que fervilham na imaginação, o grito que aqui, entorpece e morre.
Tire do meu coração o canto, que rasgou-se
de pranto, prisioneiro em solitária algema.
Tornei-me uma ilha sem ponte, sem travessia
forçada a esconder meus encantos, calar
o pranto, engolir a voz, fingir uma realidade
cada vez, que o mundo me diz não.
Sorrindo com olhos molhados, e dizendo :
- Está tudo bem. Nada me aflige,
pois nada sou, ou me resta ser
na voz autoritária dos que me impõem.
Ah liberdade, tu vens num vislumbre
me acariciar, e fazer cantar, e sonhar,
na visão da emoção, que arde por realizar.
Ah ! por um instante me vi foragida,
respirando o ar, que a tanto tempo preciso.
Ah liberdade essa saudade não tem fim.
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