Alma de Palhaço
Anna
Peralva
Desbotaram as cores,
envelheceram
lembranças
da noite para o dia,
ou não?...
Nada mais de utopia ou
fantasia
só a realidade nua e fria,
acabou a farsa!
Pincelo com fúria a
tela sem vida,
uso cores das angústias sentidas.
Mascaro a pálida
face,
uso massa ou argamassa
não quero que ninguém veja,
preciso de um
disfarce
que endureça a tristeza.
Cubro de luto o corpo,
vivi por um
amor bandido
hoje morto, banido!
Sob o manto do não ser
desvenda-se o
não ter,
revela-se o não mais querer,
oposto do que pensei
existir
desfaz-se o esforço de tanto insistir,
cai a lona...
Na
trincada taça dos sonhos
transborda o sangue da dor,
sorvo da desilusão o
amargor
de uma só vez!
Tranco os sonhos no armário escuro
e neste circo
desleal e impuro,
amordaço emoções, calo o verso.
Mesmo no reverso, acho
forças para sorrir...
Coração trincado em estilhaços,
por fora, matéria
feita de aço;
por dentro,
chora minha alma de
palhaço...