Apiedo-me e
consolo-me...
Marlene
Constantino
Apiedo-me e
consolo-me...
Das feras que
me devoram e vomitam,
sinto-me como a nuvem,
que bebe e chora.
E, eu me pergunto,
por que os pés
precisam caminhar por
linhas invisíveis?
Ah! pareço
uma equilibrista na corda bamba...
Mesmo que eu tente
traçar o caminho,
caio
no imprevisto...
improviso, invisto
um passo solto no
ar.
A vida é um
arremesso ou um tropeço?
Poderia ser mais fácil,
mas não é...
Asas só me
levam e me trazem de volta
de braços vazios e o
peito amargo por dentro.
Ilusão que não me
agasalha.
Errante
é o destino que não se vê,
não se sente,
mas se quer... Insisto
!
Preciso muito, alcançar
um vento forte,
que me leve para um rio
de águas claras...
que me
responda, sem demora, um triste apelo...
Cadê você, que o destino
escondeu
por trás
do infinito cântico das horas?
"Meu coração
chora"
14/05/2010