Atônito ou Catatônico

 

Numa estranha ruptura

Quando a vontade se fazia mais nua

Jogada ao relento de toscos momentos

Que se acotovelavam para presenciar...

Cerceando o afronta gigante

Que rolava sob esse dia

Onde as palavras, tão atônitas,

Se calavam esmorecidas

Atraiçoando, se houvesse,

Qualquer resquício de anseio.

Pobre de mim!!!

Embolado nesses tantos pensamentos:

Vadios e insistentes!

Ensaiavam arduamente

Enquanto os lábios; desalmados

Minguava-os

Jogando-os no palco das frustrações cálidas.

Deslavadamente... Essas mesmas palavras

Tão ocas!

Morriam no canto da boca

Ficando brancas nos momentos.

Faltavam-me todas agora

Num motim complexo...

Pegavam cada pensamento e espremiam-no sem piedade

Jogando em mim esse vácuo e mais nada.

Ficaria assim; não sei quanto tempo:

Literalmente com as palavras escoadas

E o tormento numa estranha galopada

Marcando esse instante de nada.

 

Marcos Sergio T. Lopes – 10/10/2009

 

 

ATÔNITO

Marlene Constantino

 

Tantas eram as palavras

tantos os argumentos

tanto o que podia ter dito

mas que?

Foi um amontoado de lamentos

amalgamados, sufocados

afônicos,

engolidos à seco

machucando o vão da garganta

maculando o peito.

Mágoa encharcando o pranto

neste momento tão cheio de querer.

Era tudo o que virou nada.

Foi mais  um momento silenciado.

sentenciando meu eco

ao quebranto dos meus versos.

24/11/2010

 

 

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