Atrás das purpurinas...

Marlene Constantino


Um dia alguém disse:
Fala abertamente o que quer.
Seja clara ! explicita !
Ao mais grosso modo,
"cuspa" sem medo o que sente.
Mas, não tem jeito, tudo vira poesia
por mais clara, que eu seja,
sinto a rima dançar no pensamento,
enfeitiçando a palavra
escorrendo pela pena.
Ai tudo o que digo
parece ser um grande delírio,
um sonho enfeitado com purpurina.
Uma fantasia
com cara de colombina no salão.
Depois, vejo-me assim:
No picadeiro da expressão -
O que era pra ser verbo
vira verso
eu pierrô apaixonado, suspiro,
enquanto de cara lavada
no escuro, calo.

06/10/2009

 

 

 

 

 

 

 

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