DEIXA-ME AQUI”


Desnudo-me copiosamente diante da vida
Preciso lavar meu corpo inteiro
Para enxugar minh´alma que se encontra desfalecida.
Caminho de forma entorpecida
Nesse esmorecer intenso e tanto
Que me deixa oco por dentro.
Não quero debulhar nenhuma palavra
Prefiro mergulhar nesse silencio
E deixar tudo fomentando por dentro.
Vou indo por aí
Para onde o vento quiser me levar
Desprovido de qualquer sentimento
Já que esses já brincaram demais comigo.
Não quero causar pena e constrangimentos
Apenas mastigo todos os tormentos
Sem nenhum clamor expresso.
Com tudo se acostuma
E eu já me habituei com tudo isso.
Não penses que sempre fui assim
Nem que meu coração esteve sempre sozinho
Ou meus olhos estiveram sempre tão opacos.
Já tive o amor fazendo arruaça dentro de mim
E os olhos brilhantes
Diante da alegria que me tomava.
Mas a vida quis assim...
Foi tirando aos poucos; roubando na surdina
E quando vi nada mais tinha
A não ser um vazio imenso.
Por isso, me deixe aqui
Que eu caminhe até sangrar os meus pés!
Quem sabe aí eu volte a sentir
Tudo que foi roubado de mim
E eu me encontre de novo... Enfim.

Marcos Sergio T. Lopes – 02/07/2007

 

 

 

 

 

 

Deixou-me aqui
Marlene Constantino
 
Jogou-me num canto,
esqueceu-se
dos meus folguedos.
Escondeu-me
sob a sombra do teu olhar
onde choram oceanos
em profundos lamentos.
Como pôde não se lembrar
da minha silhueta
que te salvava das trevas frias.
Ah como pôde
me deixar assim,
se eu era cor vibrante,
um clarão aceso em teu mar azul.
Se me buscavas
na boca do sol nascente
e o dia se fazia tão feliz
me chamavas de esperança.
Deixou-me aqui
nem ouviu o grito desesperado
que se calou nas ruínas
do teu abandono.
 
 
 

 

 
 

 

:::VOLTAR:::