FALANDO ÀS
ROSAS
SIL CERVANTES
Queixar-me-ia
às rosas, mesmo sabendo que não falariam
Imploraria
silêncio aos poetas, sabendo que não calariam
E choraria...
Mil vezes
choraria para não ser o que sou...
Mas que
bobagem!
Dedilho em
vão palavras ao vento,
nem sempre
certas no intento...
Outras tantas
até mesmo invento...
E não
aprendo!
O tempo
passa, a vida segue seu rumo,
e eu continuo
em meu mundo,
fechada em
meus castelos,
em sonhos que
acabam em nada,
e levam ao
lugar de nome "nenhum"
Na verdade,
acho que nunca quis mesmo chegar,
só quis
caminhar...
Andarilha
forasteira de distâncias inatingíveis
sem
fronteiras, nem barreiras intransponíveis...
Meu mundo
inocente, indecente,
mundo
inventado, desencarnado...
Mas que pena!
Soa tão
desalmado...
Então,
recolho-me às rosas,
que não
falam,
mas me ouvem,
na também
calada da
noite
muda,
muda...
21/03/05