“GRITO”

 

 

Estou às avessas

Sem eira nem beira

Pronto pra cuspir tudo que borbulha meu ser

Alagando nos meus olhos

Doendo tal qual adaga cravada

Que não se cansa dessa vontade de doer tanto.

Quero agora limpar minhas margens

Lustrar minhas essências

Chamar de volta a paz

Que arrumou suas malas e se foi.

Hoje não vou poupar as palavras

Vou debulhá-las com tamanha intensidade

Que todos os ouvidos vão ficar doloridos

Diante dos brados meus.

Chega de falar de forma amena

Quero botar para fora toda revolta guardada

Que deixa meu ser em frangalhos

Fazendo com que eu desfaleça por tantas vezes.

Não me peça para calar

Se nunca sentiu o que sinto

Todos esses ardis que essa vida me marca.

Chega de sangrar!

De sofrer pelo que não fiz.

Estou pronto para explodir meu clamor

Até que tudo seja escoado

Até que a chama ascenda

Apagando esse agora

Ditando outra direção

Cravada num novo começo.

 

 Marcos Sergio T. Lopes – 11/02/2008

 

OUÇO..SINTO
*Marlene Constantino*
 
Como duas conchas em estado de graça
meus ouvidos estão em alerta aos ecos errantes...
 
Tempestivo é o grito dos trovões.
Coração se debatendo em perpétua chama,
Sinto os estilhaços da alma trepidando no vento,
mares agonizando em tremores infindos.
 
Mundo estranho esse dos vulcões,
com suas bocas sugando o fundo do poço,
explodindo suas chagas, escorrendo suas dores.
Infinito é o gozo adormecido em suas lavas.
 
Com duas asas escondidas, meu coração espreita
o inaudível grito do silêncio: - A cotovia chora
seu gemido solitário, quebranto do mar
em trêmula concha na palma da minha mão.
 
Há quem emboca seus travos, quem se liberta dos entraves....
eu sou apenas ouvido, algumas vezes asas que o alevanta,
outras vezes o laço que aperta e o trás de volta.
 
18/02/2010
 

E se arrasta pelas frestas:

Grito...

Ouvido e sentido

E um mar cálido

Num silencio impávido

Marcos Sergio


 

 

 

 


 
 
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