“GRITO”
Estou às avessas
Sem eira nem beira
Pronto pra cuspir tudo que borbulha meu ser
Alagando nos meus olhos
Doendo tal qual adaga cravada
Que não se cansa dessa vontade de doer tanto.
Quero agora limpar minhas margens
Lustrar minhas essências
Chamar de volta a paz
Que arrumou suas malas e se foi.
Hoje não vou poupar as palavras
Vou debulhá-las com tamanha intensidade
Que todos os ouvidos vão ficar doloridos
Diante dos brados meus.
Chega de falar de forma amena
Quero botar para fora toda revolta guardada
Que deixa meu ser em frangalhos
Fazendo com que eu desfaleça por tantas vezes.
Não me peça para calar
Se nunca sentiu o que sinto
Todos esses ardis que essa vida me marca.
Chega de sangrar!
De sofrer pelo que não fiz.
Estou pronto para explodir meu clamor
Até que tudo seja escoado
Até que a chama ascenda
Apagando esse agora
Ditando outra direção
Cravada num novo começo.
E se arrasta pelas frestas:
Grito...
Ouvido e sentido
E um mar cálido
Num silencio impávido
Marcos Sergio

