“INDIGNADO”

 

 

Estiro-me nessa mortalha

Com todas as minhas marcas

Essas que a tirana vida deixou em mim,

Num queimar extremo

Numa dor dilacerante

Num sangrar interminável.

Não me peças nada

Estou surdo a qualquer apelo

De costas para o mundo!

Cansei de chorar

De sofrer sem parar

Não quero mais acreditar

Nem mais amar!

Prefiro me recolher

Trancar minhas janelas e portas

Descansar meu corpo

Curar as feridas da minha alma

Esquecer de tudo

Ficar cego e mudo

Para não ter que padecer um momento mais.

Quero limpar qualquer resquício de beijos

Que, por acaso, ainda reste nos lábios meus.

Tirar de mim a lembrança de cada abraço

Extirpar meu coração do peito

Já que esse só sabe padecer.

Não me peças pra reagir

Para sentir de novo

Para tentar uma vez mais!

Já não estou pra mais ninguém

Vou ficar aqui: morrendo aos poucos

No meu silencio amargado

Nas dores inacabáveis

Na repulsa de porta aberta.

Apenas com esse nojo profundo

Cuspir na vida

Escarrar no mundo.

 

Marcos Sergio T. Lopes – 18/12/2007

 

 

Exilio

Marlene Constantino

 

Acabou a festa.

O corpo é inerte,

meus ecos abatidos,

inaudíveis...

Sou flor recolhida

em solitário exilio.

Deixa-me aqui

neste desterro

embebido em fel e pranto.

Afasta-te de mim...

ah olhos de fogo!

eis que minh'alma

banida,

já não clama, por existir.

03/02/2010

 

 

"REPUGNADA"

 

Deito-me nessa cama de pregos afiados

permitindo-me ser machucada por eles

para que essa dor carnal sibstitua

e de refresco a dor infernal da minha alma.

Alma...

Ah! Essa minha alma

que rasteja

por sobre os  pregos afiados da sua ausência

que se lambuza no sangue que escorre deles

e mesmo assim remoe a saudade de você

 Repúdio repulsivo de minha alma

por meu corpo

por isso espera ansiosa o momento

de livertar-se desse corpo moribundo

 que tem olhos

e nada mais quer enxergar

que tem nariz

e de nada mais quer sentir o cheiro

que tem ouvidos

mas nada mais quer ouvir

que tem o tato perfeito

mas nada mais quer tocar

tem uma subvida

submersa em dias que passam...

Apenas passam!

Repugna de mim mesma

sem mais querer amar

nunca mais amar.

Sofrer, sofrer e sofrer

como um martírio

concedido a mim mesma

por acreditar e amar

mais do que deveria amar.

Não quero esquecer-me

não quero levantar-me

não quero reagir 

quero passar cada dia relembrando

"Eu e Você"

até que a passagem se faça

que esse corpo fique

e minha alma descanse

eternamente te amando .

 

Gina Márcia Ramos Alves

03.02.2010

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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