METADE INSANO
Badu
Surdez providencial tapando os ouvidos
para os gritos que ferem o coração
de um mundo apelativo em suas
imperativas ou necessárias leis.
Não pise na grama, doe sangue
e deixe-me viver!
A maneira eu escolho,
recolho estrelas para iluminar meu quarto e
o andar de tantos outros.
Nesse momento fala um anjo
em meu ombro esquerdo e no direito
o defeito de um menino um tanto maroto.
Balanço a cabeça confuso,
distraído me perco em cada respingo
escorrido na vidraça.
Sorrio para a significativa insignificância,
rio de mim um riso sem graça.
Queria que estivesse pensando em mim,
é assim quando se ama,
vou andar na chuva, molhar-me
em nudez censurada.
Encontre-me mais tarde,
chamando meu nome,
não encontro a chave da porta dos fundos,
preciso secar meu corpo,
vestir minha roupa e me aquecer.
Desligo-me de tudo e de todos,
apresso-me em fechar as cortinas para a fúria do céu
e o conflito de minha mente.
Vai chover por um dia mais, castigando jovem coração
entrelaçado no imaginário migrando em fantasias.
Vou sentir suaves mãos,
sedução que o silêncio ativa,
castiga em solidão.
Tantos fatos tempestivos para proibido amor,
vago qual vagabundo em um mundo de ilusões
refletindo dor de um homem profano,
um tanto santo outra
metade insano.