Meu dever, sua permissão

 

Andréa Maia

                  

      Palavras insensatas jogadas em meu ouvido.
      Devo entende-las...
      mas permita-me que não as escute!
      
      Visões tristes de um mundo que
      insistem em tornar negro.
      Devo  clareá-las...
      mas permita-me que não as enxergue!
      
      Sentimentos desprovidos de
      valores verdadeiros.
      Devo consentí-los...
      mas permita-me não acomodá-los em meu coração!
      
      Diferenças expostas como males humanos.
      Devo respeitá-las...
      mas permita-me que eu não as ignore!
      
      Dores causadas por dose tão pequena de veneno.
      Devo sentí-las...
      mas permita-me buscar a cura!
      
      Lindos sonhos jogados na lama.
      Devo deles desviar...
      mas permita-me fazê-los renascer!
      
      Caminhos tortuosos e difíceis.
      Devo enfrentá-los...
      mas permita-me  firmemente ultrapassá-los!
      
      Vida sua, vida minha.
      Devo respeitar seus limites...
      mas permita-me  ilimitadamente viver!
      
      Se seus olhos me enxergam em
      preto e branco, é justamente aí que devo ainda mais, colorir seu coração.
      
      Talvez eu deva ser o que queres...
      Mas...
      permita-me ser simplesmente o que sou!!!

      
      Publicado no Recanto das Letras em 11/01/2007
      Código do texto: T343964
 

 

 

 

 

 

 

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