MÓRBIDO SILÊNCIO

*Marlene Constantino*

 

 

As vezes o silêncio, perde a cor e nada traz.

Vai galgando os montes, atravessando mares,

num calar, que até parece tão mórbida morte.

 

Nada é manifesto, nada se fala e reflete.

Só um sol sem tom, deslizando  se desfaz

num rito, cerrando as cortinas do olhar.

 

Um doído lamento soprou na voz do vento,

sombreando os vales, trazendo na garganta

um oculto murmúrio,  soletrando um adeus.

 

01/04/2008

 

Imagem de algas fotografadas por ASOL

em Arraial do Cabo/RJ

enriquecida na linda arte do amigo

ALEX

 
MORBIDEZ SILENCIOSA
Walterbrios

Que cor qualquer poderia trazer o silencio?
somente um rito de dor é que poderia advir,
qual mórbido prazer em um doente vício,
que em pleno silencio alguém se deixa sentir.
 
Quem morre no silencio, por si somente morre,
quem fica, escuta seus próprios ares,
isto porque atrás de si a morte também corre,
não se pode fechar a porta de todos lugares.
 
Nada se fala, nem o brilho do pensamento exala
como um sol atônito por detrás de negras cortinas,
ele mesmo foge e em montes e vales se resvala
o olhar nada mais olha e se cumprem as pardas sinas.
 
O vento só venta seu próprio intento e não lamenta
somente a carne e seus males suspiram sua dor,
mas no silencio se oculta a força, quem a escuta agüenta.
talvez apenas um soletrado e simples murmúrio de amor.
 
Walterbrios 6/4/2008
 
 

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