MORTE LENTA
Marlene Constantino
Cá estão:
Lembranças, cartas, cenários.
Tua fotografia guardada.
Palavras, ah quantas por ouvir!
Outras tantas
em pergaminhos lacrados
com os meus lábios
dentro de um beijo imaginário.
Ah quanto mistério por desvendar,
promessas à cumprir.
Sonhos tantos por viver...
tudo misturado no sal desta agonia.
Nas águas de uma luta desigual.
O tempo
esse tal senhor absoluto
é um corsário em minha vida.
Tudo leva, tudo rouba.
Senhor das horas,
por quantas vidas ter-me-á nas mãos?
Minha espera o repudia!
Saiba que este silêncio
não convertido em grito
é morte lenta,
sangria em minhas veias.
Maldito tempo,
maldito gesto que a boca sela.
Às vezes o coração quer sair
pela garganta afora
num louco impulso gritar
em mil lamentos, o que na alma fere...
Este corte que arde em mim...
