“No Vão de Uma Lágrima”  

                                   Marcos Sergio T.Lopes  

    

  Lágrimas dessa Dor

                           Anne Oliver

 

 

 

Virou sal... 

Num amargor escorrido

Que pegou todo sentimento

Espremendo-o até deixá-lo estirado

Num gosto de grito

Que rasgou sua garganta

Até que explodisse todo descontentamento.

 

Era então dor

Excruciante e profunda

Que exibia latejante

O choro muito reprimido

Que agora inundava e explodia

Pelos caminhos que encontrava

 

Queria tapar todos os vãos

Em vão!

Não se preenche tamanha lacuna

Que está com a boca escancarada

Minando todas as águas

Pelos olhos que já não agüentam.

 

Queria ensaiar antes o grito

Calar aqueles gemidos

Ocultar as lacunas

O abismo

Por onde toda lagrima cortava

 

Não poderia ser diferente

Tamanha foi à insensatez

Que deixou o amor doente.

E as mãos ficaram tão distantes

Despedindo-se calidamente

 

Não queria ser tão humano

Extasiado, no limite dos sentimentos

Sentiu então esse amor desfalecer

E a trágica despedida

Como de uma alma e seu corpo...

 

Enquanto no vão de uma lágrima

O coração chorou pelos olhos

Enquanto os olhos, mergulhados no pranto

Sentiu tudo e mais um tanto.

 

Nas lágrimas dessa dor

Esse coração desolado

Gritou sua dor com os olhos

Enquanto esse pranto

Mostrou-lhe que aprendeu

A sentir de tudo

E mais um tanto

 

 

 

 
 
 

 

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