ODE AO MEU
AMOR
Marlene
Constantino
Mesmo que eu sele os
lábios
e viva para sempre em
silêncio...
Mesmo que toda linguagem
congele
nas margens do
pensamento...
Mesmo que cessem todos os
cânticos
recitados pelos anjos do
céu...
Mesmo que o retinar dos
sinos
soe a profecia do
abandono...
Mesmo que a lingua dos
homens
semeie a praga em meus
canteiros...
Mesmo que um dia as
ondas
deixem de enfeitar a orla
do mar.
Mesmo que o meu martírio
seja engolido pela
garganta do abismo,
ainda assim, haverá um
lugar
onde o mar não
sucumbirá.
Haverá um lugar onde a
noite não chora o dia,
onde possa desenhar
alegria.
Ainda assim, os
sonhos
rabiscarão as suas
alegorias.
Cúmplices serão, som e
silêncio
o coração cantará
louvores:
-um hino de amor ao meu
eterno -
"Você sempre em mim, sem
fim".
12/06/2010