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Pai
porque me desamparastes
Marlene
Constantino
Dai-me mais um
minuto
para o meu ser,
nem que seja
num pedacinho
de céu
azul,
meu coração,
para abrigar a
minha inocência.
Um cantinho aonde eu
possa,
sentir o
desapego
e refletir sobre as
minhas mais duras penas.
Dai-me um verso alado
que me leve ao pico
mais alto
onde eu possa
livremente
entender que a
lua também chora,
e que as estrelas
escorrem
enquanto
experimento
meu mais profundo
sentimento:
de Amor, Dor,
Compaixão e Perdão
neste meu peito
mutilado.
Feriram-me os brios,
açoitaram-me o corpo,
arrancaram-me das
vestes,
não da alma a retidão
e a glória. Minhas
asas, deixo-as
na cruz,
que ora me
santifica.
E, que esta
dor marque o eterno
traço
num calvário de pedras e
saudade
meu legado de
Fé, Esperança e Amor
Dai-me
Pai,
um minuto
coroado de suavidade,
o meu último
suspiro!
Pois que a Ti
entrego o meu
Espírito!
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