“A Poetisa e o Veleiro”
 
*Marlene Constantino*
 
Hoje não sinto, nem sou sentida...
Hoje não brilho, não tenho luz...
Não sou lua, não sou sol...
Sou apenas poesia
no interior de um veleiro,
que o tempo envelheceu
em qualquer porto ancorado.
 
Hoje, sou uma poetisa a mais
que canta para o vento...
Sou uma poetisa a mais que pisou
em teu convés...
 
Como um sopro de vida, fiz balançar
 sob as velas, a tua carcaça..
Pisei em teu convés para içar-te as velas..
Pintar teu mundo com as cores do arco-íris..
Salpicar estrelas como fogos de artifício,
 colorir teu céu escuro.
Levar um raio de sol para aquecê-lo
como um agasalho a envolver uma criança.
 
Hoje, sou uma poetisa a mais
que canta para o vento...
Sou uma poetisa a mais que pisou
em teu convés...
 
 
Que tentou num ato de esperança,
fazer soltar tuas amarras...
Numa viagem impetuasa de sonhos,
quis carregá-lo mar afora.
 
Majestoso veleiro, quis mostrar-te,
que se a vida é vida ainda quando morte,
logo esta  tem sabor de vida,
então prove-a por inteiro.
 
Quando o mar estiver em calmaria
olhe para o céu, verás a poetisa,
personificada num pássaro,
voando na mais profunda intimidade
com tudo o que é perene..
Lembrarás da passagem dela por ai!!
 
Tenha por certeza,
Ela espera a hora de renascer...
Num porto distante encontrará, a poetiza,
um veleiro reformado,
majestoso enfeitando o mar azul...
Suave em seu velejar e flexivel no seu pensar!!
 
 
 
 

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