Quando a chuva cair
*Marlene Constantino*
às vezes sinto a chuva,
mas não a vejo
escorrer em nenhuma
vidraça.
Para onde foram as
águas?
Pudesse eu
encher os lagos
do mundo...
Ah quanta aridez há um palmo de
mim!
Pudesse eu
fazer chover, gota por gota,
lá fora...
Por que os olhos secam enquanto
a alma se afoga num mar sem
fim?
Não sei...
Para onde foram as águas!
Peço, imploro...
verta o mar sobre meu
corpo
e que a tempestade
me embale em branca
espuma
num banho de sal
revigorante.
Ah Deus ... que essa dor
não me deixe num lago
vazio
e nunca me impeça de
chorar.
Me faça gritar
e que os meus olhos saibam
escorrer a lágrima,
quando chorar meu
coração.
13/11/2009
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