SEM
MÁGOAS, DEIXA-ME IR
*Marlene
Constantino*
Preciso retirar a venda,
reforçar no olhar, a luz.
Tantas muralhas tenho ainda para
derrubar.
Como sepultar espinhos,
se tormento é farpa na alma?
É preciso varrer o caminho, mudar as
sandálias,
então solta-me as mãos, preciso sozinha
caminhar.
Em silêncio, sem lamentos
e sem mágoas, deixa-me ir,
preciso me encontrar, sito-me infante, perdida
estou.
Preciso olhar o chão que
piso, marcar meus passos,
Crer que tenho pernas e braços para alçar
montanhas.
Modelar meu coração, crer que fui gerada com amor.
Eclodindo em carências,
esse meu ser se agiganta e
agita o peito, grita, ecoando nesse espaço
demarcado,
meu coração, farpas fincadas em minha garganta.
Preciso ir, varrer meu
caminho, sepultar os espinhos.
01/11/2007
^A^¤Söl*®