TURVA É A CHUVA

 

Marlene Constantino


Narração: Marcos Sergio T. Lopes


 
Tremulam as águas
eu cá curvo-me inteira.
Fecham-se na haste as rosas.
Pensar não quero,
sinto um medo tamanho.
Não me peça para falar
porque as rosas
não se revelam assim,
ficam silentes,
choram um visgo rubro.
Eu no meu silêncio
choro o amor orvalhado
Impiedoso espinho.
Sinto frio, um arrepio
de mal agouro,
assim como as rosas,
trêmula no vento
descrente,
deserdo da voz a palavra;
Enquanto os olhos escorrem
emudeço, engulo a seco
o meu deserto.
 
06/08/2010

 

 

 

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