Voragem
 
Marlene Constantino
 
 
O céu se fecha na mata densa, o que era
pra ser verde vira um escorrido aguaceiro.
Rastejante nevoeiro esconde o tempo,
os apressados ponteiros...
Parece que tudo fica tão lento, quase parando
e a noite que era pra ser curta não termina.
Até o pulsar do coração fica em silêncio,
fria sombra vem e domina.
Por que mergulhar nesse atoleiro, nesse caminho
duvidoso e escuro, onde a alma não respira?
Se o verde soluça, grita, reclama aos céus,
ao vento, as folhas caídas fora de hora...
implora ao tempo, sem demora
por mais um, só mais um raio de vida?
Respondo:
Esperança solitária é a minha!
 
25/04/2010
 
 
ÁRIDO
 
Tamanho é o aperto
Nesse desconcerto
Que se faz nas horas nuas
Que esfacelam meu pensamento.
Queria mais do que um lamento...
Que meus olhos não se perdessem tanto
e tivessem tantos encontros com o vazio.
Não adianta querer, se não se têm o grito
Se a fibra combalida; anda sem pernas
Totalmente desfalecida.
Restam apenas essas madrugadas e seus olhos ressequidos
Essas facas cravadas no pensamento
Esmagando o sentimento
Permitindo apenas o silencio.
Não há brilho
Se o dia não chega
A noite não cessa
E a escuridão trafega numa constante.
 
Marcos Sergio T. Lopes
25/04/2010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

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